DIVERGÊNCIAS
 

Artigo publicado no CB dia 13/04/2006

É o que eu sempre digo: Enéas neles!

 


A ELITE SÃ E SALVA


Thelman Madeira de Souza
Médico do Ministério da Saúde

Em toda a sociedade existe uma minoria que, usando de vários expedientes, entre eles a violência, é detentora do poder político e econômico, em detrimento de uma maioria afastada do poder. Em outras palavras: o poder decisório pertence, sempre, a pequeno grupo de pessoas que dirige e regula, de forma legal ou arbitrária, um conjunto maior de pessoas. Essa minoria privilegiada é a elite. No Brasil, temos uma das elites mais perversas do mundo (herança da colonização), responsável pela nossa dependência econômica e a exclusão social de milhões de brasileiros.

É a esse grupo minoritário que Lula e o PT se uniram em 2003 para ganhar a eleição e, hoje, se unem novamente com o objetivo de garantir a reeleição daquele que se julga um estadista, mas que não passa de títere nas mãos do capital financeiro internacional. No entanto, é inegável o sucesso da aliança, facilitada pelas estratégias de amordaçamento de um parlamento na conta de um mensalão, a cooptação do Poder Judiciário mediante a nomeação para o Supremo Tribunal Federal de juristas afinados com a ideologia petista e o desgaste contínuo e solerte das nossas Forças Armadas, hoje vivendo à míngua por culpa de um governo despreocupado com a soberania nacional que tenta transformá-las em polícia de combate ao narcotráfico.

Vivemos o esquartejamento do Estado brasileiro, com a derrocada das principais instituições, sob os auspícios de um governo cevado pela corrupção: é o governo da perseguição ao funcionalismo público e aposentados; da devastação da Amazônia; dos transgênicos; das estradas esburacadas; da destruição do sistema público de saúde; da conivência com a política externa norte-americana; do desmantelamento das nossas Forças Armadas e da submissão ao FMI.

O quadro desolador conta com a omissão da elite intelectual, que, no Brasil, se acostumou a pensar com a cabeça de pensadores europeus e americanos, sem jamais oferecer alternativa teórico-prática para os problemas brasileiros. Com algumas exceções, não passam de intelectuais estéreis, envergonhados com a nossa triste realidade, mas incapazes de uma única intervenção para modificá-la. Alguns deles até se atrevem a dizer que essa não é a tarefa de um intelectual, numa clara tentativa de esconder o seu papel, há muito definido por importantes filósofos da política, não importando se de direita ou de esquerda.

Da concepção leninista de intelectual, passando pelo intelectual orgânico de Gramsci até a relação entre os intelectuais e o poder na visão de Bobbio, todos concordam em um ponto: o intelectual não é um ser silencioso, omisso, como quer fazer crer a professora de filosofia Marilena Chauí. O intelectual tem um papel perante a sociedade. Relembrar esse papel é fundamental, porquanto é necessário trazer o povo para a participação política, sem a qual não se alcançará a mobilização necessária para a mudança de dirigentes políticos descompromissados com o país, tampouco se impedirá a expansão de domínio de partidos que se autodenominam de massa, mas que desta se afastaram para cumprir desígnios antipovo.

É o caso do PT, que, hoje, se articula com os segmentos mais atrasados e reacionários da sociedade com o objetivo claro de se tornar o único partido com condições de almejar o poder. Para isso, conta com a interferência descabida do governo federal nas questões internas de outros partidos, que, além disso, arrasta, via concessão de benesses, os aliados de ocasião, para esse projeto megalômano. O objetivo das manobras antidemocráticas é isolar a oposição patriota do povão, usando, para tal, programas demagógicos, tipo bolsa-família, ao mesmo tempo em que, contando com a ajuda da grande mídia e dos institutos de pesquisa de opinião, passar a falsa imagem de que somente o PT e o PSDB teriam condições de postular a Presidência da república. Reduzem, desse modo, os prováveis contendores ao campo neoliberal. Com isso, garante-se a sobrevivência do atual círculo dirigente em qualquer circunstância. A vitória petista ou tucana teria o mesmo significado político-econômico, isto é, estariam garantidos a continuidade da política econômica que sufoca o nosso povo e o lucro fabuloso dos banqueiros e especuladores. Mais uma vez, a elite sairia sã e salva.



Escrito por Redator às 11h47
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DA QUASE INUTILIDADE DA CPI


Jarbas Passarinho
Foi ministro de Estado, governador e senador

O Estado de S.Paulo publicou declarações dadas em off, por ministros do Supremo, acusando as CPIs de "objetivo político e exploração eleitoral". É um dado importante para a finalidade e o destino das CPIs, o que talvez explique a freqüência das liminares, como nunca antes, na condução dos trabalhos das CPIs e dos conselhos de Ética. Por muito tempo, o Judiciário omitia-se das decisões do Congresso sob o argumento de que se tratava de questões interna corporis. É claro que as comissões do Congresso não podem ter autoridade para ignorar o direito positivo brasileiro. Mas é tempo de pensar na utilidade delas, que são constituídas, segundo as normas constitucionais, "para investigar fato determinado em prazo certo".

Depoentes blindados por habeas corpus, é lhes assegurado o silêncio, mesmo quando se lhes fazem perguntas sem sentido e que não os comprometeriam se respondidas. Parlamentares, nos últimos episódios, chegaram a também se queixar de possível "objetivo político" do egrégio tribunal, e ousaram suspeitá-lo de parcialidade. Um exemplo muito citado é o de um senador governista, apreensivo com o que revelava uma testemunha na CPI, sobre certo ministro, correu pressuroso ao Supremo (talvez para desincumbir-se de ordem superior) e obteve imediata liminar que impediu a testemunha de continuar depondo, uma liminar que amordaçou o depoente e não ouviu previamente a CPI.

Vale a pena CPI prestar-se de platéia para espetáculos, como o do marqueteiro Duda Mendonça, em sua segunda oitiva na CPI dos Correios? Na primeira, sem blindar-se com habeas corpus, mentiu, ao afirmar que o PT lhe exigira abrir conta em paraíso fiscal, para pagar débitos de campanha. Chorou. Só teria essa conta devido à exigência de Marcos Valério, que o desmentiu. A Polícia Federal, então, o investigou. Dessa investigação resultou provado que o marqueteiro tem, não uma, porém várias contas no exterior. Voltou a depor, garantido pela lei que — ao que sei — inspirou-se na Quinta Emenda da Constituição americana e figura no direito positivo brasileiro. Eu me pergunto se na CPI dos "anões" teríamos tido rápido êxito, no prazo determinado, ao inquirir o deputado João Alves, se em vez de ele tentar explicar que ganhava sempre nas loterias ajudado por Deus, fosse lacônico à moda Duda: "Não respondo". E se a outro depoente, o relator Roberto Magalhães, mostrando-lhe um cheque vultoso, perguntasse se a assinatura era dele depoente, e a resposta fosse: "Não respondo". Claro que poderíamos usar outros recursos de demorada obtenção, mas nos foi negada a prorrogação do prazo certo, e ficamos com investigação interrompida, o que suponho não se daria na Justiça comum.

O inquérito é uma peça preparatória. Os juízes e a polícia têm servidores experientes para obter a prova que serve ao processo, sem violar direitos humanos, apesar das acusações da Anistia Internacional de que há tortura nas polícias do Brasil. A CPI não. Só se fosse feita de Sherlock Holmes. Acaba uma sucessão de deploráveis "inquirições" tornando-se progressivamente desinteressantes, exceto para alguns perguntadores que aproveitam seus minutos de televisão. Vale a pena?

Note-se, ademais, o drama do Conselho de Ética da Câmara, que cumpriu liminar após liminar, teve as provas concretas do fornecimento e recepção do dinheiro espúrio do mensalão, para aprovar o que o governo queria, e os viu serem absolvidos, com direito a dança.

A este ponto chegou o governo petista que a Folha de S.Paulo em editorial diz "ter ultrapassado o terreno das bazófias, das chicanas e do cinismo militante, para se aventurar na prática da chantagem e do abuso do poder". Cumprindo lei, passa 128 dias na cadeia a ladra de uma lata de manteiga para dar ao filho. Mereceria a pena de Victor Hugo em Os Miseráveis. Entrementes, os que se corromperam pelo mensalão do operador Marcos Valério têm o respeitoso tratamento de Excelência e decidem os destinos do Brasil, absolvidos que são pelos plenários. Um caseiro foi amordaçado por liminar concedida às pressas, a PF o investiga por suspeita de lavagem de dinheiro! Um advogado ironizou: é porque sua mãe é lavadeira.

Expedito Filho — jornalista respeitado — entrevistou o suposto pai do caseiro, que não reconhece paternidade numa aventura de adolescente, mas confirmou ter depositado os R$ 25 mil na conta corrente do caseiro. Basta para desmoralizar a farsa da lavagem de dinheiro. Diligentes funcionários da Caixa Econômica não precisariam cometer o crime de rasgar a Constituição para quebrar o sigilo bancário do moço, na esperança desesperada de encontrar prova de conluio dele com a oposição. O presidente foi mais prático. Desqualificou a testemunha — "são palavras de um simples caseiro", profissão sem dúvida desprezada por não ser torneiro mecânico.

Nos seus Estudos Sociológicos, Raymond Aron, dissertando sobre a Revolução Francesa, disse que os burgueses, ao assumirem o poder, mantiveram-se iguais. Mas os proletários deixam de viver como proletários no dia em que dirigem uma fábrica, um truste ou um ministério".




Escrito por Redator às 17h49
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O Código Inútil

Por Kleber Mateus

 

 

Ao ler, ultimamente, na parte em que os jornais dedicam ao cinema, pude notar o alvoroço que se monta ao redor da versão para as telas do livro “O Código Da Vinci”. Tanto se dá devido ao fato desta adaptação derivar dum livro que foi o grande sucesso de vendas no ano passado, e é justamente esse sucesso que me assusta.

Gostaria de esclarecer, antes de mais nada, que não vejo fenômeno negativo em qualquer publicação de alcance popular ou escrito para a maioria. Muito pelo contrário, dou grande crédito a escritores que fogem dos ditames acadêmicos, desde que o produto que gerem seja de qualidade, o que não é o caso do livro em questão.

A pergunta é “por que livro de Dan Brown é tão proeminente?”.

Pois bem, muitos poderiam até atribuir o sucesso do livro ao fato de ele trazer à tona um tema, no mínimo, interessante (na verdade fantástico) que é a Igreja. Talvez também a fama venha devido ao tom investigativo ou à revelação (nem sempre precisa, mas isso não importa) de certas curiosidades históricas. Naturalmente, essas características são aplaudidíssimas pelos “cults”, que notam, por isso, a “inteligência” e “perspicácia” do Dan Brown. Mas se esta é a fonte do sucesso, por que não causa tanto comentário, entre os jovens, “O Nome da Rosa”? Será por que é um livro dos anos oitenta? Podemos então trazer à tona um livro mais recente, com características semelhantes: “Aqueles Cães Malditos de Arquelau”, do brasileiro Isaias Pessotti. Mas esse também não é muito falado.

Na verdade, meus caros, nenhum desses dois livros pode fazer tanto sucesso quanto o fez o “Código” (ainda que especulem sobre a igreja, dêem belas demonstrações de história e historiografia, ou contenham personagem absurdamente inteligentes e argutos nas investigações) pelo breve motivo de possuírem coisas que o Código não possui (beleza estética, expressão filosófica e tendência erudita).

Mesmo que seja uma das primeiras desculpas que possam vir à tona, não podemos aceitar a afirmação de que a linguagem dos livros de Eco e Pessotti é inacessível porque, ainda que possuam grandes quantidades de linhas em latim e palavras pouco usuais, ambos os escritores se fazem entender porque são artistas e dominam bem suas artes e, por isso, se expressam com primazia e clareza, cabendo ao leitor o mínimo de sensibilidade (ou breves consultas ao dicionário) para poder ler as entrelinhas e o enredo como um todo.

O Código não tem nenhum momento de qualidade estética. Com suas frases bastante americanas e mui simplórias, parece mesmo um roteirinho hollyoodiano, e dum filme bem chinfrim, do tipo “Esqueceram de Mim” ou do gênero. Nenhuma frase de efeito também. Nada útil... nenhuma mensagem. Chulíssimo.

Talvez sejam mesmas essas as fontes de sucesso do livro. Uma erudição fingida, basicamente pseudo-intelectual; uma linguagem simples beirando ao ridículo; e a falta de qualquer mensagem ou qualidade estética, somados ao tema mais “inteligente” dos últimos tempos – falar mal da Santa Igreja Católica.

Deve fazer tanto sucesso também porque dá a seus leitores a sensação de inteligência instantânea (conhecer um pouco da igreja, um pouco de seitas ou um pouco sobre obras do Louvre é meio místico). Afinal, ninguém quer se cansar buscando ser mais instruído lendo os clássicos. Para isso basta fingir, disfarçar, parecer inteligente com alguns lugares comuns e comentários “legais” sobre um livro qualquer. Assim como para parecer artista hoje basta jogar tinta numa tela ou escrever poesias com frases desconexas ou narrativas engraçadas com um pé na auto-ajuda ou no misticismo ralo. Pura coisa pós-modernista... degenerada.

Ah, mas por me ser oportuno, ainda que não haja assistido a película, gostaria de acalmar os cinéfilos que temem pela deturpação da obra original, pois, como já disse, o livro é um verdadeiro roteiro de cinema, escrito como tal e, portanto, só uma total tempestade de idéias do diretor da versão pode acarretar em alterações profundas. Na verdade, seria até bom que acontecesse, pois se o filme for no mínimo parecido com o livro, será deplorável.



Escrito por Redator às 16h34
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Nacionais e Nacionalismo em Risco: os perigos da globalização

 *Kleber de Mateus

A história recente vem nos mostrando o advento de um movimento que tenta irromper na mente das pessoas estruturas que desvalorizem suas pequenas paixões sob o pretexto da integração planetária, dando azo ao aprimoramento cada vez mais intenso do individualismo.

Esse movimento, chamado globalização, ao invés de tornar o homem um ser "global", no sentido de estar integrado e comprometido com todo o planeta, faz, contrariamente, com que ele se sinta auto-suficiente e individualista, no sentido em que o sucesso de sua integração com o resto da sociedade está diretamente relacionado a "vitórias" pessoais. Assim, o tal "homem globalizado" deve estar conectado à internet, falar inglês e ter o mundo como nação não para compactuar da luta mundial por melhorias, mas para alcançar um maior reconhecimento de sua "glória" no mundo capitalista. Esse anseio, de isolar as pessoas em si próprias, é disfarçado pela extremada valorização – dada pelos administradores das grandes corporações internacionais e intelectuais comprometidos com o modelo – aos pontos positivos do movimento, como, por exemplo, a velocidade da troca de informações e o crescimento das discussões científicas.

Certamente esses sãos ganhos louváveis, mas que nem de longe são o destaque essencial (ainda que sejam os difundidos), pois que a realidade mostra uma densa onda de crescimento da invasão de empresas "sem nacionalidade" – portanto descompromissadas com todo o mundo – em todos os recantos da sociedade. Elas se aproveitam da subjetividade globalizadora, que admite a desterritorialização das instituições, para não terem com os povos que exploram nenhum compromisso.

Além de tudo, como justificativa, a globalização busca destruir as paixão do homem pela sua nação (o que daria maior espaço para os capitalistas) buscando torna-lo, assim como as transnacionais, alguém sem nacionalidade. Podemos checar essa situação em nosso país, onde as pessoas deixam, cada vez mais, o sentimento nacionalista e, por sentirem-se auto-suficientes e sem dívidas para com seus concidadãos, passam, por conseqüência, a sentirem-se da mesma forma diante de seu município, bairro, vizinhos e, fatalmente, da família.

Como lembrou meu amigo Alan Nunes, em seu texto de 18 de agosto deste ano, o povo brasileiro orgulha-se de sua fama de "pacato e ordeiro", o que, na verdade, é um demérito incontestável, tendo em vista que isso é um exemplo clássico do descompromisso dos brasileiros para com seus iguais.

Como conseqüência disso, temos uma nação formada por pessoas que não lutam pelos seus direitos justamente porque não vêem os outros como "irmãos", mas sim como competidores que, estando em situação desprivilegiada, permitem-lhes uma ascensão pessoal facilitada.

O pior de tudo é que muitos intelectuais levam a público suas idéias que valorizam esse movimento, usando o exemplo de certos países onde o capitalismo triunfou como modelo de vida e as pessoas são globalizadas e integradas ao mundo, lugares onde as pessoas não olham umas para as outras (como na Suíça) em detrimento de situações de "atraso", como as dos interioranos brasileiros, que levam uma vida de união e de valorização das tradições locais.

Notemos a presença de três graves problemas nessas opiniões e comparações. Uma é que os intelectuais não mais têm em conta suas convicções, mas sim os das corporações, mesmo que não percebam; outra é a desvalorização da cultura e da identidade dos grupos regionais que, somados, formam a cerne cultural do país. Valorizar a cultura dos países europeus no campo estético é até justo, mas sobrepô-los como tendência "global" para destruir as expressões nacionais é uma perversidade mercadológica imperdoável; a terceira é a ausência constante da exemplificação de certos países de capitalismo central, como os Estados Unidos, onde o povo possui um forte senso nacionalista.

Além de tudo, a relatividade dessas afirmações é patente, pois que é consenso que o homem busca a felicidade, e será mesmo que a possibilidade de encontra-la no tecnicismo das universidades contemporâneas é maior do que nas danças folclóricas e no modelo familiar dos grupos do interior do Brasil?

O país precisa reavivar mecanismos de valorização da unidade nacional e da paixão pelo grupo (como os atos cívicos) e incutir em todos os brasileiros o sentimento de unidade nacional como forma de lutar contra os ditames duvidosos da globalização, principalmente nas cidades grandes. Só assim o país poderá vislumbrar o tão sonhado desenvolvimento no mundo globalizado e uma posição de destaque no cenário internacional.

*Kleber de Mateus é Bacharel em Arquivologia pela Universidade de Brasília – UNB - e autor dos artigos: "A Vida Comum de Vitoriano" e "A Igreja e o Tempo".



Escrito por Redator às 19h36
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ARMAS, REFERENDOS E ORDEIRISMO

*Por Alan Nunes

Observa-se que a honra e o nacionalismo ocidental germinaram de um arcabouço ideológico no cerne europeu. A honra para os cavaleiros medievais era medida através de vários fatores, que variavam desde o seu grau sanguíneo até a sua habilidade com a espada. O guerreiro do século XI, iria para o combate com total convicção de superioridade, pois o mesmo era inflado de honra cavalheiresca e treinado para enfrentar a morte. Da mesma forma, um soldado SS do século XX, era mandado ao campo de batalha com uma carga emocional muito forte, impregnado de superioridade racial e após ter recebido um duro treinamento físico e uma lavagem cerebral de cunho nacionalista, que o conduzia a matar (ou morrer) impiedosamente os seus inimigos.

No Brasil, não temos o costume de guerrear, por isso, talvez, a maioria esmagadora da população não sabe sequer o que é nacionalismo. A honra, fora perdida depois que os valores materiais deram lugar ao resquício de moralismo existente na nação. O Brasil nunca quis invadir quaisquer espaços de terras fora de seu território. Atacou o Paraguai como justificativa de auto-defesa e participou de algumas outras guerras sendo pelego dos Americanos. Como exemplo clássico dessa falta de visão expansionista brasiliera - e da trágica alcunha de povo pacato e ordeiro - podemos citar as terras perdidas para a Bolívia no findar do século XIX e ínicio do século passado. O território onde se econtram as maiores jazidas de gás-natural do planeta está localizado ao leste das terras bolivianas. Terras que historicamente são do Brasil. Infelizmente os desarranjos de alguns políticos e diplomatas, tendo como propugnador o famoso e por demais brando Barão do Rio Branco, que através de uma política de interesses escusos, conseguiu apenas um terço do território que realmente pertence ao Brasil e que covardemente rendeu-se ao primeiro sinal de belicismo por parte dos bolivianos, preferindo os meios diplomáticos. Sem dúvidas que o Estado do Acre teria dimensões bem maiores se os brasilieros daquela época se dispusessem em armas. Perdemos essas terras e hoje pagamos um alto preço comprando gás-natural e investindo sem qualquer garantia de retorno em um país cujo o clima político é pior do que o nosso – sim, isso é possível. Ainda vemos hoje, aterrados, o governo esquerdista do Brasil e nossa multinacional petrolífera negociar com os (a)narco-traficantes bolivianos uma trégua para poderem tentar levar aquele país a normalidade. O natural seria o Brasil fazer alianças com os Argentinos e Americanos – e não com Evo Morales - e talvez, quem sabe, anexar a Bolívia como a 28° Unidade Federativa do Brasil.

Mas a nossa fama de povo servil não está restrita ao campo externo. A campanha sobre o Referendo do Desarmamento é outro modelo que faz a população se sentir segura. Pura falácia republicana e midiática. É isso que meia dúzia de deputados do Partido Verde (?!), alguns sociais democratas e os abastados da mídia querem, os mesmos que usam carros blindados, seguranças pessoais e cercas-elétricas em suas residências e que paradoxalmente são a favor da liberalização da maconha, do aborto e do uso indiscriminado da genética em seres humanos. Valores totalmente desvirtuados, onde os facínoras, estupradores e assassinos de pior estirpe, andarão armados e redobrarão seus crimes com a certeza que sua vítima não terá chance alguma à legítima defesa, pois esta lei funcionará apenas para tirar do cidadão honesto a sua única oportunidade de eliminação do bandido via arma de fogo.

No país em que os Direitos Humanos são o câncer do Estado, maquiando a verdadeira realidade do povo, sendo contra a tortura de presos, pena de morte e dando total estrutura aos criminosos, fica fácil entender como os limites do bom senso são obscurecidos dia após dia.

Reflito agora sobre a frase do ilustríssino Deputado Jair Bolsonaro, defendendo como poucos a Pena Capital no Brasil:

"Nenhum bandido que se sentou em uma Cadeira Elétrica, voltou para cometer crimes novamente!" (Dep. Bolsonaro).

*Alan Nunes é licenciado em Estudos Sociais, com Habilitação em História, pela União Pioneira de Integração Social.

 



Escrito por Redator às 10h57
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Legados Incontestáveis: Menino de Engenho

Por Kleber Mateus

 

Quis José Lins do Rego, em tempos em que O Quinze (Rachel de Queiroz, 1930) deslanchava nos cantos da literatura corrente entre as décadas de 1930 e 1940, impregnar novamente na história literária tupiniquim o odor suave e majestoso da humanidade latente, com seu Menino de engenho (1932).

Não deixou o autor de marcar o romance com uma outra temática ascendente: a política e as relações no seu sentido regionalista nordestino; basicamente ali representados pelo patriarcalismo e coronelismo. Tal, se visto como gancho para o engendramento da obra como um todo, explica a simplicidade das relações que nela se dão, de modo que para ambas as partes – favorecidos e desfavorecidos – tudo acontece de forma muito natural, não havendo, de modo algum, contestação do significado e veracidade do legado.

            Em meio a tanto, o presente trabalho pretende explanar de forma periférica o que se convenciona classificar como foco do livro – a expressão biográfica duma criança órfã, que passa sua infância num engenho – e enfatizar tanto quanto mais a função humana e as relações sociais ali expressas.

            Passado num Pernambuco verificado no fim do Século de XIX e início do XX, não pouco, então, tradicional, a obra se inicia esclarecendo uma condição social privilegiada do protagonista, filho de pais de bom nome e propriedades.

Mas o valor das riquezas logo é anulado por uma tragédia: seu pai matou a esposa. De saída dá-se logo a orfandade, amainada imediatamente pela proposta de bons ares do engenho do avô, pai de sua falecida mãe.

            A título de figuração, vale lembrar que as benéfices da boa condição familiar logo se mostram novamente, quando seu pai, por ser senhor de títulos, desmerece a cadeia e vai findar sua vida numa clínica de loucos – de “doidos”, como bem quer o autor. Por mais que se instale a tristeza no coração do menino em decorrência do aprisionamento do genitor, há de se convir que uma clínica não é dos castigos mais rígidos para um assassino.

            José Paulino, o avô, por sua vez, demonstra ainda o peso do tradicionalismo, e paga as despesas do algoz da filha... não mereceria, sendo seu genro, uma morte das mais sórdidas, independente do que haja feito em vida.

            No engenho o menino encontrou um cenário cheio de bucolismo, onde até a labutaria confundia-se com o ambiente natural, fosse pela rusticidade da lida, fosse pelo conformismo dos trabalhadores, que em pouco se diferenciavam dos animais. Aliás, dramático demais seria enumerar como “pouco” a diferença, isso porque todos ali se dotavam de uma expressão humana das mais densas, e o autor evidenciou isso – e assim, também, sua genialidade – quando do uso dos vultos culturais da região e da língua “arcaica” do local. Esta, cheia dos gracejos e algo de sentimento, de forma que abate no leitor uma melancolia, tão muito contrastada pelo desejo esbaforido de mais se embrenhar nos prazeres tão bem escritos do regionalismo.

            Como bem frisaram uns críticos, o autor não pareceu criar algo, mas sim retratar uma experiência de vida sincera.

            Mas a paisagem, quando não expressada no trabalho diário e seus atores, se mostrava na convivência simples do dia-dia. Crianças a brincar nos campos, nadar nos rios e trepar em árvores, senhoras bordando, servas cozinhando... conversando e deixando de lado suas classes sociais ou condições de vida.

 

[CONTINUAÇÃO ABAIXO]



Escrito por Redator às 13h35
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[CONTINUAÇÃO]

 

Não à toa, José Lins dedicou a obra, entre outros, a Gilberto Freyre, maior defensor da teoria do sincretismo entre as raças formadoras da nação brasileira.

            E assim, o autor amalgamou a vida do menino, de forma indissociável, entre a Casa-grande e a Senzala, porque no engenho, ricos e pobres se davam de forma mui simplória. Verdade é que essa simplicidade tendia a verificar favorecimento aos da casa-grande, e a esse respeito, Juca, o tio maravilhoso, era a perfeita representação dessa tendenciosidade: tinha lá ele suas relações com as negras da fazenda, tinha filhos com elas, mas não assumia a paternidade de nenhum. Quebrava um código de honra, desse jeito – pecado fatal – de modo que em contra partida, um “peão” sentiu na pele os castigos por deflorar e não casar com a mulata com quem deitou (ou ao menos foi acusado de), até que se descobriu ser Juca o malfeitor. Esse nada sofreu além de represarias suavíssimas de seu pai. Incontestável legado.

            E as negras em pouco tinham mesmo direito à honra. Resguardava-se essa – a honra – quase de todo aos brancos da casa-grande. Filhas da extinta escravidão, as moradoras da senzala davam-se ao trabalho pesado ou ao cumprimento das funções domésticas dos senhores. Quando muito serviam de objeto para saciar a sede carnal vulcanizada na tez dos peões ou dos brancos senhores. Tinham filhos de muitos, e estes filhos elas criavam sós e lhes deixavam o mesmo legado incontestável, o da serviência.

            As brancas, nada tinham além de suas funções de mulher da época, mas assim gozavam de um ar de majestade sobre as mucamas e os empregados, que lhes prestavam respeito e prestigiavam. Nada além, porém, do que pudesse, de algum modo, romper com o ciclo de tradicionalidade vigente. Eram herdeiras do machismo.

            Cresceu, o menino, admirando o sensato, imponente, respeitado – e o que mais de adjetivos couber a um típico senhor de engenho – José Paulino, seu avô e ídolo.

            O velho José Paulino além de tudo era prefeito, respeitado não somente pela sua severidade, mas também por sua bondade. Fazia favores, protegia pessoas, pagava em dias... mas queria algo em troca. Pedia algo em troca.

            Pedia respeito, trabalho, fidelidade etc etc...

            Era o coronel brasileiro em todos os aspectos. Cheio de dívidas políticas, e fiador de tais também. Lá também com seus rivais, mas nunca em confronto direto.

Sempre justo, sempre incólume, sempre coronel.

E o respeito devido a Paulino havia de se estender a todos os seus. Fossem filhos, netos genros ou noras. Fazia parte da tradição e do poder, era intrínseco à condição. Humanamente legítimo.

Visto assim, é patente a busca pela evidenciação da relação inabalável entre as classes. Contudo resguardam-se honrarias evidentes aos poderosos, na moralidade, na tradição e até mesmo na sensualidade.

E assim cresce o menino de engenho, corrompido pelas negras e pobres, admirando o tio Juca e suas donzelas nuas, das revistas, admirando seu avô, senhor e homem de bem.

Vai Carlinhos para a escola se curar das contaminações da senzala, e ampliar em seu cerne os valores de vida da casa-grande e, quem sabe, findando a vida acadêmica, se tornar um senhor de engenho, senhor de muitos peões e de muitas mulatas. Um legado incontestável.



Escrito por Redator às 13h32
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ESTADO ATEU: OS PERIGOS DA "MARXIZAÇÃO" NA SOCIEDADE BRASILEIRA

*Por Alan Nunes

A República Federativa do Brasil é um país laico, todos sabem disso. Desde a queda da Monarquia, em 1889, e a ascensão positivista nos primórdios da República recém-criada, que o Catolicismo deixara de ser a religião oficial do Estado. Ruim para as aspirações de planejamento humano da República Velha, pior para a fé religiosa do homem cristão brasileiro, que viu multiplicarem-se, nas décadas vindouras, centenas de igrejas e religiões que não condiziam com suas crenças, edificadas por Pedro no apogeu romano. Maçonaria, Protestantismo, Umbanda e Candomblé, com discursos como os da individualidade e da competitividade, formavam o quarteto que arrebanharia os milhões de fiéis da Sacrosanta Igreja Católica, dispostos a ascenderem socialmente nessas religiões por meio de suas duvidosas pregações.

Durante o crescimento ideológico na República Oligárquica, o que mais assustou não foi a ascensão das pseudo-religiões cristãs ou dos cultos afro-americanos em nome de deuses pagãos, mas, sim, o ATEÍSMO declarado da nova e perigosíssima doutrina que há muito assolava a Europa: O MARXISMO.

O ideólogo e fundador da doutrina social-comunista, Karl Marx, juntamente com Friedrich Engels, redigiu o seu "Manifesto do Partido Comunista" conclamando a massa operária a lutar contra a religião de Cristo. A Sacrossanta Igreja Católica era severamente agredida com panfletos e artigos, nos quais se dizia, entre outras heresias, que "A Religião é o ópio do povo", ou, com blasfêmias do tipo "Não foi Deus quem inventou o homem, mas, sim, o homem que inventou Deus".

A ideologia socialista atravessou a atlântico, e, em 1922, os brasileiros de boa índole assistem estupefatos a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que era encarregado de propagar o Estado Ateu no seio da sociedade essencialmente cristã. A tentativa de "comunização do Brasil" foi frustrada, pelo poder de Deus e pelas mãos dos homens de bom senso que dirigiam a máquina estatal da época. Mais tarde, já no quarto ano da década de sessenta, o Comunismo foi banido de vez da cena política oficial brasileira, com a máxima da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", que contou com mais de um milhão de fiéis cristãos, cansados do risco que corria a sociedade brasileira, tendo um presidente de esquerda no poder, João Goulart, o Jango. Clamavam pelo retorno da verdadeira democracia e por uma sociedade balizada na ética, na moral e nos ensinamentos da religião católica.

Mas a revolução que ocorrera na época não foi escarlate, do sangue e do ódio dos comunistas, mas, sim, verde-oliva, a cor das florestas brasileiras e do belo lábaro estrelado. A Revolução Democrática de 1964 estava consolidada.

Por vinte anos, a Sacrossanta Igreja Católica permaneceria inabálavel, posto que os comunistas não poderiam mais ousar o tão sonhado Golpe de Estado que decretaria o fim do cristinanismo no Brasil. No entanto, logo o Regime de 64 começou a ruir, com a dissidência latente de homens treinados nos bastiões bolchevistas do exterior, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso – que se arrependera tardiamente e entregou-se ao neoliberalismo – e por intermédio dos que, em solo nacional, não possuíam capacidade intelectual, mas muita bravata, e se atreviam a engendrar sindicatos e associações no ABC paulista para o crescimento próprio e reconhecimento midiático.

Outros ainda ousavam a luta armada, como utopia para tentar impor aos cidadãos a sua ideologia atéia, como foi o caso da execrável Guerrilha do Araguaia. Fracassaram, é claro, massacrados pelos soldados do Exército Brasileiro, guiados por Deus, como Cruzados medievais rumo a libertação da Terra Santa em mãos bárbaras.



Escrito por Redator às 14h06
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Todavia, com a queda do Regime Militar (ainda em plena Guerra Fria), os comunistas ganharam um novo fôlego, mas, desta vez, foram vencidos por uma elite anti-patriótica que outrora comungava com os seus ideais, antigos admiradores do regime Soviético. Chegara a vez dos neoliberais tomarem a vanguarda do poder público brasileiro, privatizando a preços pífios as grandes e lucrativas estatais criadas no período varguista e firmadas posteriormente nas políticas nacionalistas de Castello e Médici. Os neoliberais fizeram uma mescla de populismo – herdado de suas raízes marxistas – e do livre mercado keynesiano, importado dos "Chicago Boys" e concretizado pelos economistas brasileiros.

Foram aproximadamnte quinze árduos e longos anos de neoliberalismo, onde o trabalhador brasileiro viu as suas economias exaurirem ou simplesmente ser demitido de seu emprego. A Sacrossanta Igreja Católica, por sua vez, não ficou imune ao período em que ideologias de cores-outras tentavam contra a fé cristã.

Nesse contexto, onde a sociedade liberal reinou com o seu "excesso de democracia", a Teologia da Libertação é a prova cabal da tentativa dos comunistas de tomarem o poder, agora não pela força das armas, mas, sim, pela retórica barata de alguns dissidentes do clero eclesiástico. Com o neoliberalismo em marcha e com o inevitável descaso estatal, os comunistas acharam a fenda perfeita para corroborarem os seus atos, usando a mídia sensacionalista para corromperem a juventude e alienarem a população leiga, que via as manifestações dos Teólogos Libertadores como a fuga para a tão sonhada anarquia juvenil, ou para aplacar as mazelas que atingiam os menos favorecidos.

A Sacrossanta Igreja Católica, obviamente, repeliu rigorosamente essa tendência que ganhava adeptos a cada dia. Tendo como arauto o Santo Padre, o Papa João Paulo II, que foi um combatente ativo e respaldado artífice da queda do comunismo no leste europeu, a Teologia da Libertação fora repudiada pelo Vaticano e os seus seguidores expulsos e ou excomungados da Igreja Apostólica Romana, caindo no esquecimento.

O neoliberalismo político sai de cena, deixando o seu legado econômico para a presente geração. Contudo, a "comunização" da sociedade continua nos tempos de hoje, com a instalação de um governo populista e demagógico no poder. Hoje se torna corriqueiro a propagação retrógrada dos socialistas, seja nas escolas, nas universidades, na televisão, no trabalho, entre tantos outros lugares. Na educação dos jovens, ainda há o agravante das tendências pseudo-revolucionárias. Isso explica o fato de Che Guevara, que nada tem a ver com o Brasil, ser considerado um mito pelos jovens, ao passo que heróis nacionais são praticamente desconhecidos por estes mesmos jovens, doutrinados pelos professores comunalhas. A própria doutrinação é um fato condenável e uma dos mais anti-éticos atos de um professor. Mais não é só isso: os livros do Ensino Fundamental e Médio são escritos em sua maioria pelos propagadores da ideologia marxista. Um exemplo clássico são os livros didáticos da atéia Marilena Chauí - Filosofia no Ensino Médio – e do não menos ateu Milton Santos – Geografia.

"Jovem! Cuidado com o que passa ao teu redor. Se tal ideologia fosse a panacéia do mundo, hoje Estados como Rússia, Cuba, Coréia do Norte, Camboja, entre outros, estariam com uma economia de ponta e com índices sociais saudáveis, o que definitivamente não ocorre. Então segure firme a tua bíblia, aperte o teu terço contra o peito, ajoelhe-se em frente a imagem de Nossa Senhora Maria Santíssima e siga copiosamente os conselhos de Pio XI, ao qual dizia:

"Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista" (Pio XI - Quadragésimo Anno).

*Alan Nunes é Licenciado em Estudos Sociais, com Habilitação em História, pela União Pioneira de Integração Social.



Escrito por Redator às 14h05
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A Igreja e o Tempo*

Por Kleber de Souza Mateus**

 

          A morte de João Paulo II evidenciou, devido as vorazes articulações midiáticas, um problema que há tempos aflige o seio da Santa Madre Igreja: a intensa debandada de fiéis para outras religiões ou seitas e até mesmo para o ateísmo ou outros “ísmos” comuníssimos.

Esse processo, que se adensou no último século, tem suas bases mais recentes em algumas tendências de pensamento que se delinearam, inicialmente, com o advento do Renascimento – período onde as artes e as ciências começaram a se desvencilhar da crença e assumiram um tom mais materialista – culminando no Humanismo e Iluminismo. Esses períodos, além de focarem ou delinearem os estudos científicos notoriamente adversos a qualquer influência religiosa, também mudaram o centro do mundo de Deus para o homem.

Nesse sentido, tudo o que é feito pelo homem visa, teoricamente, satisfazer a si mesmo ou aos seus pares, mas na prática, como bem vemos, ocorre justamente o contrário. A modernidade na verdade tornou o homem, ainda que um tanto mais racionalista, extremamente individualista (e não à toa a palavra “indivíduo” tem o mesmo tronco de “individual”), ou seja, da hierarquia reinante outrora, cada pessoa deixa de ter responsabilidade com seu grupo e passa a ser responsável simplesmente por si próprio.

Atitudes desse gênero fazem ascender no homem cada vez mais o instinto competitivo e, ao invés de enxergar no seu próximo um irmão a quem se deve cuidar como parte do todo que lhe cerca, passa a ver um êmulo em potencial.

O desapego à hierarquia, à tradição e, mais tetricamente, à Deus, faz com que o homem se entenda como auto-suficiente e, além disso, senhor de si e de seus caminhos. Relativiza, então, tudo o que o cerca segundo o seu ponto de vista e assim entende que é livre e não precisa de âncoras que lhe balizem a vivência.

O catolicismo, que predominou como religião mais praticada no Ocidente, sente os terríveis abalos dessas tendências de pensamento onde Jesus é secundário, e o relativismo que os “fieis” atribuem a suas próprias vidas, somado ao crescimento cada vez maior das influência de religiões Orientais – como o budismo e o hinduísmo –  e do protestantismo faz com que a Santa Igreja perca adeptos.

Argumentos de que a Igreja deveria se adaptar as mudanças do tempo e do pensamento para ganhar mais praticantes passaram a ser constantes. Mas devemos nos perguntar: “é a igreja que tem que se adaptar ao tempo ou o tempo que deve se adaptar à Igreja?”.

Ora, tendo em vista o senso-comum vigente, a Igreja deve ser encarada como qualquer instituição capitalista neo-liberal, ou seja, deve se moldar de acordo com os ditames regulares para não perder seus fiéis.

Mas a questão é mais complexa, porque a Igreja Católica não é um organismo mercadológico, mas sim a portadora das tradições que nos legou Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

[CONTINUAÇÃO ABAIXO]



Escrito por Redator às 15h55
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Não devemos negar que no decorrer dos tempos certas transformações ocorreram na Igreja de Roma, e o último Concílio é a mais recente prova disso, mas não podemos deixar de nos ater ao fato de as mudanças que ocorrem não são de cunho essencial, ou melhor, não alteram os dogmas, mas são de teor mais superficialista, que melhoram as relações da Igreja com o mundo e com seus fiéis, mas não traem, de jeito nenhum, os mandamentos das Sagradas Escrituras e a herança deixada pelos apóstolos e pelo primeiro papa, São Pedro.

Por mais que a Igreja seja flexível – e não podemos dizer que não é – determinados pontos, como o voto de castidade sacerdotal e o repúdio ao aborto nem sequer devem fazer parte das discussões.

Se as modificações de pensamento fazem com que a Igreja perca alguns de seus fiéis para o mundo, é também a solidez da Igreja que faz com que outros fiéis venham em busca dela. E dentre filhos pródigos e ovelhas achadas, a Igreja, sem dúvida, vai sobreviver aos tempos, e não necessariamente devido a quantidade de pessoas que nela se encontram como praticantes, mas sim na qualidade e na intensidade da fé dos mesmos.

Afinal, não podemos deixar de lembrar que a morte do Santo Padre, João Paulo II também fez perceber que muitos fiéis, sensibilizados com o senso de ética e de bondade que o Papa nos deixou, voltaram ao seio acolhedor da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana...

 

* Publicado originalmente em http://paginas.terra.com.br/regiliao/pazebem  em maio de 2005.

* Kleber de Souza Mateus é Bacharel em Arquivologia pela Universidade de Brasília

Contato:: lawrentserrat@yahoo.com.br



Escrito por Redator às 15h33
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O ESTADO, A ÉTICA E A FILOSOFIA
(Hobbes, Maquiavel e Platão)

*Por Alan Nunes

(Texto republicado)

Em minhas palavras, enfatizo a existência de outras formas para se obter o controle que não a utilização de um pulso forte. Relembro que reconstruir a estruturação, o modo de vida e o processo de inserção do homem na sociedade constituem um projeto em longuíssimo prazo (talvez até impossível!) na tentativa de alterar sua "essência". Menciono Thomas Hobbes, para o qual "O ESTADO DE NATUREZA" prevê um estado onde o homem se comportaria sem um poder. Os homens seriam iguais. Ninguém triunfaria sobre os outros. Neste estado, o mais razoável seria o ataque antecipado de um sobre o outro (GUERRA DE TODOS CONTRA TODOS).

O homem é um animal político devido a Competição (lucro), Desconfiança (segurança) e Glória (sucesso). Nos julgamos superiores aos outros e isto não é reconhecido, conseqüentemente, nos afeta gerando mais violência. O Estado de Natureza é um estado de tensão. O homem somente alcançará a paz se abrir mão sobre todas as coisas desde que todos os outros também o façam (compreendemos que isto é utópico, pois ninguém, em sã consciência, abrirá mão de algo em prol de terceiros.) Assim, é instalada a desigualdade. A solução para esse problema é o PACTO SOCIAL, que ao surgir, cria os valores morais, o Estado e o poder. O Estado nada mais é do que a normatização do desequilíbrio para que todos os homens possam viver em paz.

As pessoas estão vivendo num estado de caos. É preciso força para obter controle. Este controle, para Hobbes, é de competência do Estado. Entretanto, não esqueçamos de Maquiavel, para o qual boas armas garantem boas leis. Aqui encontramos a necessidade do pragmático e inexorável pulso forte!

Hoje, a ética está reduzida a algo privado. Um mal sinal. O Sujeito moral está sob ataque e não mais possui um formato visível para todos os integrantes da sociedade. Inexiste um modelo a ser seguido. Nosso código de conduta está em crise e a ideologia do bem estar faz com que o sucesso individual determine a impossibilidade da ética. Você está desvinculado dos valores éticos quando os atingem. Não interessa como você alcançou. Hoje, o sucesso espelha-se na neoliberalização da economia, privatização, cultura da informática, liberalismo em matéria sexual, consumismo ostentatório e sucesso na mídia. Entrar para o 1º mundo passou a ser um paradigma, mas não é ético quando referenciado à virtude - vide Big Brother e seus similares.

Por tudo isto e muito mais, a individualização é, ao mesmo tempo, fator de desenvolvimento e causa mortis do convívio coletivo. Estamos sós e sem desculpas para legitimar nossos atos, desatinados ou não. É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não criou a si mesmo, mas por estar livre no mundo.

Nesse contexto, a Filosofia e a Metafísica não pensarão nunca que o homem possa conseguir o auxílio de um sinal qualquer que o oriente no mundo, pois é o homem quem decifra os sinais. Não sou ateu, porém tenho um irremediável problema com a fé. Ela não se adequa ao empirismo e, portanto, não posso tomá-la como um dogma, pois, não tenho como atingir a certeza com segurança. Percebo que estou contrariando Platão (Conhecer não é Ver). Logo, desculpo-me por ser tão materialista... mas orgulho-me por ser um idealista. Um realista crítico. Pois o que importa é que o homem faz com o que fizeram dele.

Bem... abrindo um pouco mais o leque, concluo que mesmo com todos aqueles "Arquês", nenhum filósofo ou religioso conseguiu, por meio das seis possíveis indagações inatas, descobrir o princípio vital da nossa essência. Ainda que Platão afirmasse "só conhecermos sombras sem a filosofia", desconfio deste método de pensar "o porquê". Sou adepto da epistemologia empírica. Não precisamos racionalizar tudo, ou nos perder em alusões utópicas, mas comprovar todos nossos pensamentos resultantes. Não consigo vislumbrar a filosofia como ciência empírica, se os filósofos me permitem enunciar esta opinião.


Vejam bem! Ela mudou conforme os valores de cada época. Várias foram suas fases. Ela se adaptou aos pensamentos e aos pensadores. Antevejo que jamais chegará há lugar algum. Seu processo é um pensar infinito, e como o intelecto humano conseguirá explicar o infinito, Deus e o nada? - abstrações. Assim as religiões e as filosofias estarão presas a um constante aprimoramento. Nada mais que isso!

Meus caros "philos"...
...muito brilha-me tuas "sofias", contudo pergunto-me constantemente: O que fariam os filósofos com toda esta ânsia pela constante busca da verdade?



FONTES DE PESQUISAS:

HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1999. (Coleção Os
Pensadores)*.

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Abril Cultural, 1999. (Coleção Os
Pensadores).

PLATÃO. A República. In: Os Pensadores, São Paulo: Nova Cultural Ltda, 2000.

*Alan Nunes é licenciado em Estudos Sociais, com Habilitação em História, pela União Pioneira de Integração Social.



Escrito por Redator às 10h40
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