DIVERGÊNCIAS
 

O ESTADO, A ÉTICA E A FILOSOFIA
(Hobbes, Maquiavel e Platão)

*Por Alan Nunes

(Texto republicado)

Em minhas palavras, enfatizo a existência de outras formas para se obter o controle que não a utilização de um pulso forte. Relembro que reconstruir a estruturação, o modo de vida e o processo de inserção do homem na sociedade constituem um projeto em longuíssimo prazo (talvez até impossível!) na tentativa de alterar sua "essência". Menciono Thomas Hobbes, para o qual "O ESTADO DE NATUREZA" prevê um estado onde o homem se comportaria sem um poder. Os homens seriam iguais. Ninguém triunfaria sobre os outros. Neste estado, o mais razoável seria o ataque antecipado de um sobre o outro (GUERRA DE TODOS CONTRA TODOS).

O homem é um animal político devido a Competição (lucro), Desconfiança (segurança) e Glória (sucesso). Nos julgamos superiores aos outros e isto não é reconhecido, conseqüentemente, nos afeta gerando mais violência. O Estado de Natureza é um estado de tensão. O homem somente alcançará a paz se abrir mão sobre todas as coisas desde que todos os outros também o façam (compreendemos que isto é utópico, pois ninguém, em sã consciência, abrirá mão de algo em prol de terceiros.) Assim, é instalada a desigualdade. A solução para esse problema é o PACTO SOCIAL, que ao surgir, cria os valores morais, o Estado e o poder. O Estado nada mais é do que a normatização do desequilíbrio para que todos os homens possam viver em paz.

As pessoas estão vivendo num estado de caos. É preciso força para obter controle. Este controle, para Hobbes, é de competência do Estado. Entretanto, não esqueçamos de Maquiavel, para o qual boas armas garantem boas leis. Aqui encontramos a necessidade do pragmático e inexorável pulso forte!

Hoje, a ética está reduzida a algo privado. Um mal sinal. O Sujeito moral está sob ataque e não mais possui um formato visível para todos os integrantes da sociedade. Inexiste um modelo a ser seguido. Nosso código de conduta está em crise e a ideologia do bem estar faz com que o sucesso individual determine a impossibilidade da ética. Você está desvinculado dos valores éticos quando os atingem. Não interessa como você alcançou. Hoje, o sucesso espelha-se na neoliberalização da economia, privatização, cultura da informática, liberalismo em matéria sexual, consumismo ostentatório e sucesso na mídia. Entrar para o 1º mundo passou a ser um paradigma, mas não é ético quando referenciado à virtude - vide Big Brother e seus similares.

Por tudo isto e muito mais, a individualização é, ao mesmo tempo, fator de desenvolvimento e causa mortis do convívio coletivo. Estamos sós e sem desculpas para legitimar nossos atos, desatinados ou não. É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não criou a si mesmo, mas por estar livre no mundo.

Nesse contexto, a Filosofia e a Metafísica não pensarão nunca que o homem possa conseguir o auxílio de um sinal qualquer que o oriente no mundo, pois é o homem quem decifra os sinais. Não sou ateu, porém tenho um irremediável problema com a fé. Ela não se adequa ao empirismo e, portanto, não posso tomá-la como um dogma, pois, não tenho como atingir a certeza com segurança. Percebo que estou contrariando Platão (Conhecer não é Ver). Logo, desculpo-me por ser tão materialista... mas orgulho-me por ser um idealista. Um realista crítico. Pois o que importa é que o homem faz com o que fizeram dele.

Bem... abrindo um pouco mais o leque, concluo que mesmo com todos aqueles "Arquês", nenhum filósofo ou religioso conseguiu, por meio das seis possíveis indagações inatas, descobrir o princípio vital da nossa essência. Ainda que Platão afirmasse "só conhecermos sombras sem a filosofia", desconfio deste método de pensar "o porquê". Sou adepto da epistemologia empírica. Não precisamos racionalizar tudo, ou nos perder em alusões utópicas, mas comprovar todos nossos pensamentos resultantes. Não consigo vislumbrar a filosofia como ciência empírica, se os filósofos me permitem enunciar esta opinião.


Vejam bem! Ela mudou conforme os valores de cada época. Várias foram suas fases. Ela se adaptou aos pensamentos e aos pensadores. Antevejo que jamais chegará há lugar algum. Seu processo é um pensar infinito, e como o intelecto humano conseguirá explicar o infinito, Deus e o nada? - abstrações. Assim as religiões e as filosofias estarão presas a um constante aprimoramento. Nada mais que isso!

Meus caros "philos"...
...muito brilha-me tuas "sofias", contudo pergunto-me constantemente: O que fariam os filósofos com toda esta ânsia pela constante busca da verdade?



FONTES DE PESQUISAS:

HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1999. (Coleção Os
Pensadores)*.

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Abril Cultural, 1999. (Coleção Os
Pensadores).

PLATÃO. A República. In: Os Pensadores, São Paulo: Nova Cultural Ltda, 2000.

*Alan Nunes é licenciado em Estudos Sociais, com Habilitação em História, pela União Pioneira de Integração Social.



Escrito por Redator às 10h40
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