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Nacionais e Nacionalismo em Risco: os perigos da globalização
*Kleber de Mateus
A história recente vem nos mostrando o advento de um movimento que tenta irromper na mente das pessoas estruturas que desvalorizem suas pequenas paixões sob o pretexto da integração planetária, dando azo ao aprimoramento cada vez mais intenso do individualismo.
Esse movimento, chamado globalização, ao invés de tornar o homem um ser "global", no sentido de estar integrado e comprometido com todo o planeta, faz, contrariamente, com que ele se sinta auto-suficiente e individualista, no sentido em que o sucesso de sua integração com o resto da sociedade está diretamente relacionado a "vitórias" pessoais. Assim, o tal "homem globalizado" deve estar conectado à internet, falar inglês e ter o mundo como nação não para compactuar da luta mundial por melhorias, mas para alcançar um maior reconhecimento de sua "glória" no mundo capitalista. Esse anseio, de isolar as pessoas em si próprias, é disfarçado pela extremada valorização – dada pelos administradores das grandes corporações internacionais e intelectuais comprometidos com o modelo – aos pontos positivos do movimento, como, por exemplo, a velocidade da troca de informações e o crescimento das discussões científicas.
Certamente esses sãos ganhos louváveis, mas que nem de longe são o destaque essencial (ainda que sejam os difundidos), pois que a realidade mostra uma densa onda de crescimento da invasão de empresas "sem nacionalidade" – portanto descompromissadas com todo o mundo – em todos os recantos da sociedade. Elas se aproveitam da subjetividade globalizadora, que admite a desterritorialização das instituições, para não terem com os povos que exploram nenhum compromisso.
Além de tudo, como justificativa, a globalização busca destruir as paixão do homem pela sua nação (o que daria maior espaço para os capitalistas) buscando torna-lo, assim como as transnacionais, alguém sem nacionalidade. Podemos checar essa situação em nosso país, onde as pessoas deixam, cada vez mais, o sentimento nacionalista e, por sentirem-se auto-suficientes e sem dívidas para com seus concidadãos, passam, por conseqüência, a sentirem-se da mesma forma diante de seu município, bairro, vizinhos e, fatalmente, da família.
Como lembrou meu amigo Alan Nunes, em seu texto de 18 de agosto deste ano, o povo brasileiro orgulha-se de sua fama de "pacato e ordeiro", o que, na verdade, é um demérito incontestável, tendo em vista que isso é um exemplo clássico do descompromisso dos brasileiros para com seus iguais.
Como conseqüência disso, temos uma nação formada por pessoas que não lutam pelos seus direitos justamente porque não vêem os outros como "irmãos", mas sim como competidores que, estando em situação desprivilegiada, permitem-lhes uma ascensão pessoal facilitada.
O pior de tudo é que muitos intelectuais levam a público suas idéias que valorizam esse movimento, usando o exemplo de certos países onde o capitalismo triunfou como modelo de vida e as pessoas são globalizadas e integradas ao mundo, lugares onde as pessoas não olham umas para as outras (como na Suíça) em detrimento de situações de "atraso", como as dos interioranos brasileiros, que levam uma vida de união e de valorização das tradições locais.
Notemos a presença de três graves problemas nessas opiniões e comparações. Uma é que os intelectuais não mais têm em conta suas convicções, mas sim os das corporações, mesmo que não percebam; outra é a desvalorização da cultura e da identidade dos grupos regionais que, somados, formam a cerne cultural do país. Valorizar a cultura dos países europeus no campo estético é até justo, mas sobrepô-los como tendência "global" para destruir as expressões nacionais é uma perversidade mercadológica imperdoável; a terceira é a ausência constante da exemplificação de certos países de capitalismo central, como os Estados Unidos, onde o povo possui um forte senso nacionalista.
Além de tudo, a relatividade dessas afirmações é patente, pois que é consenso que o homem busca a felicidade, e será mesmo que a possibilidade de encontra-la no tecnicismo das universidades contemporâneas é maior do que nas danças folclóricas e no modelo familiar dos grupos do interior do Brasil?
O país precisa reavivar mecanismos de valorização da unidade nacional e da paixão pelo grupo (como os atos cívicos) e incutir em todos os brasileiros o sentimento de unidade nacional como forma de lutar contra os ditames duvidosos da globalização, principalmente nas cidades grandes. Só assim o país poderá vislumbrar o tão sonhado desenvolvimento no mundo globalizado e uma posição de destaque no cenário internacional.
*Kleber de Mateus é Bacharel em Arquivologia pela Universidade de Brasília – UNB - e autor dos artigos: "A Vida Comum de Vitoriano" e "A Igreja e o Tempo".
Escrito por Redator às 19h36
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