DIVERGÊNCIAS
 

Artigo publicado no CB dia 13/04/2006

É o que eu sempre digo: Enéas neles!

 


A ELITE SÃ E SALVA


Thelman Madeira de Souza
Médico do Ministério da Saúde

Em toda a sociedade existe uma minoria que, usando de vários expedientes, entre eles a violência, é detentora do poder político e econômico, em detrimento de uma maioria afastada do poder. Em outras palavras: o poder decisório pertence, sempre, a pequeno grupo de pessoas que dirige e regula, de forma legal ou arbitrária, um conjunto maior de pessoas. Essa minoria privilegiada é a elite. No Brasil, temos uma das elites mais perversas do mundo (herança da colonização), responsável pela nossa dependência econômica e a exclusão social de milhões de brasileiros.

É a esse grupo minoritário que Lula e o PT se uniram em 2003 para ganhar a eleição e, hoje, se unem novamente com o objetivo de garantir a reeleição daquele que se julga um estadista, mas que não passa de títere nas mãos do capital financeiro internacional. No entanto, é inegável o sucesso da aliança, facilitada pelas estratégias de amordaçamento de um parlamento na conta de um mensalão, a cooptação do Poder Judiciário mediante a nomeação para o Supremo Tribunal Federal de juristas afinados com a ideologia petista e o desgaste contínuo e solerte das nossas Forças Armadas, hoje vivendo à míngua por culpa de um governo despreocupado com a soberania nacional que tenta transformá-las em polícia de combate ao narcotráfico.

Vivemos o esquartejamento do Estado brasileiro, com a derrocada das principais instituições, sob os auspícios de um governo cevado pela corrupção: é o governo da perseguição ao funcionalismo público e aposentados; da devastação da Amazônia; dos transgênicos; das estradas esburacadas; da destruição do sistema público de saúde; da conivência com a política externa norte-americana; do desmantelamento das nossas Forças Armadas e da submissão ao FMI.

O quadro desolador conta com a omissão da elite intelectual, que, no Brasil, se acostumou a pensar com a cabeça de pensadores europeus e americanos, sem jamais oferecer alternativa teórico-prática para os problemas brasileiros. Com algumas exceções, não passam de intelectuais estéreis, envergonhados com a nossa triste realidade, mas incapazes de uma única intervenção para modificá-la. Alguns deles até se atrevem a dizer que essa não é a tarefa de um intelectual, numa clara tentativa de esconder o seu papel, há muito definido por importantes filósofos da política, não importando se de direita ou de esquerda.

Da concepção leninista de intelectual, passando pelo intelectual orgânico de Gramsci até a relação entre os intelectuais e o poder na visão de Bobbio, todos concordam em um ponto: o intelectual não é um ser silencioso, omisso, como quer fazer crer a professora de filosofia Marilena Chauí. O intelectual tem um papel perante a sociedade. Relembrar esse papel é fundamental, porquanto é necessário trazer o povo para a participação política, sem a qual não se alcançará a mobilização necessária para a mudança de dirigentes políticos descompromissados com o país, tampouco se impedirá a expansão de domínio de partidos que se autodenominam de massa, mas que desta se afastaram para cumprir desígnios antipovo.

É o caso do PT, que, hoje, se articula com os segmentos mais atrasados e reacionários da sociedade com o objetivo claro de se tornar o único partido com condições de almejar o poder. Para isso, conta com a interferência descabida do governo federal nas questões internas de outros partidos, que, além disso, arrasta, via concessão de benesses, os aliados de ocasião, para esse projeto megalômano. O objetivo das manobras antidemocráticas é isolar a oposição patriota do povão, usando, para tal, programas demagógicos, tipo bolsa-família, ao mesmo tempo em que, contando com a ajuda da grande mídia e dos institutos de pesquisa de opinião, passar a falsa imagem de que somente o PT e o PSDB teriam condições de postular a Presidência da república. Reduzem, desse modo, os prováveis contendores ao campo neoliberal. Com isso, garante-se a sobrevivência do atual círculo dirigente em qualquer circunstância. A vitória petista ou tucana teria o mesmo significado político-econômico, isto é, estariam garantidos a continuidade da política econômica que sufoca o nosso povo e o lucro fabuloso dos banqueiros e especuladores. Mais uma vez, a elite sairia sã e salva.



Escrito por Redator às 11h47
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